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#16

Estivemos: Anita, Laura, Ana Carolina, Ana Beatriz, Diana, Ana Luiza, Neilton.
Relatoria VIZINHANÇA 09/09, por Anita.
Essa quarta dia 09/09 foi um dia de muita chuva e barra de calça molhada, então não pudemos ficar no nosso gabinete (teatro de arena). Apesar disso, nosso encontro tomou lugar numa sala muito especial, o novo espaço físico do CAPed!!! Foi muito aconchegante e especial estar lá, todos gostamos bastante.
Nossa conversa começou com as tão esperadas atualizações sobre o projeto do MUHCAB, que vai começar a receber nossos rostos muito sorridentes na terça-feira da semana que vem (15/09). A coordenação do educativo do museu se encontrou com o Neilton para ajustarem nossas datas e ideias, e disso ficou combinado que terças, sextas e sábados são dias interessantes para alocarmos atividades. A proposta é que essas atividades sejam criadas a partir das necessidades do museu, dos projetos já existentes lá, e da proposta pedagógica do lugar, então daqui pra frente estaremos experienciando um pouco das artes, das conversas, das formações e dos doces de ibejada que o MUHCAB está compartilhando com o VIZI para que algo muito legal surja daí!
Aí, passamos para a bell hooks com as apresentações de duas duplas sobre os capítulos de cinema vivido. Começaram as lindas Ana Carol e Ana Luísa, representando nossa torcida organizada de anas, com o capítulo 2 “transgressão e transformação: Despedida em Las Vegas”. Antes de tudo, já que quando escrevo sobre bell hooks exercito a atenção sobre a minha escrita e desafio a rigidez gramatical de vocês, acho que é um bom momento para explicar a questão das letras minúsculas. hooks adota seu pseudônimo e os títulos de suas obras escritos em minúsculas numa luta pelos “nomes menores”. A autora se coloca contra o culto capitalista à personalidade, a transformação de pessoas em produtos, demonstrando, através dessa escrita não usual, que os nomes próprios não se sobrepõem ao seu discurso, às suas ideias, à sua substância, a quem somos.
Dito isso, digo mais: a apresentação das meninas soube representar muito bem tudo isso. Trouxeram a contextualização do filme, levantando pontos acerca das discussões de gênero que ele traz e nos conduziram pelo que a autora se propõe a pensar sobre essa produção. O amor, a morte, a transgressão, a vulnerabilidade, o perder para encontrar (nas palavras de João Gilberto que me tocam muito): todas essas são dores questionadas e exploradas por bell hooks sob a lente do que é ser mulher, das intenções cinematográficas e do lugar do sentimental na vida e na arte.
Em seguida, as encantadoras Ana Beatriz e Laura trouxeram suas interpretações sensíveis sobre o capítulo 3 “Exótica: sucumbir para se libertar”. Chamaram atenção para a crítica à visão setorizada no cinema: bell hooks discute a tendência dos diretores e espectadores norte-americanos a se absterem de uma análise mais profunda das interseções de temáticas sociais. Também nos conduziram em uma explicação sobre a trama em sua eterna “tentativa de fugir e sempre voltar ao trauma”, numa narrativa de reprodução de violências. Disseram considerar que o final do filme, ao retratar a protagonista saindo do carro, demonstra finalmente um afastamento definitivo.
Parabéns meninas!
Aí, o Neilton falou um pouco sobre a intenção em analisar os capítulos de um ponto de vista metodológico, visando nosso embasamento no método de bell hooks para a realização do nosso projeto. Como ela toca nos filmes? Como podemos reproduzir seu olhar de forma a adentrar discussões para pensar ciência?
Ele deixou três pontos de análise para refletirmos sobre os capítulos que as duplas trouxeram:
1 Quais temas se entrelaçam entre os capítulos?
2 Qual olhar ela utiliza para discutir as temáticas dos filmes?
3 Qual o seu modo de escrita? Como as críticas são feitas?
A partir disso, dividimos nossas opiniões, entendendo que
1 A mulher e o trabalho feminino são temáticas presentes nos dois capítulos;
2 Há uma chave de análise baseada na comparação entre as representações dos personagens e há a relevância do ponto de vista dos espectadores, o que é muito interessante de se pensar como uma apropriação da crítica do filme pela sociedade;
3 Existe uma espécie de fluxo de consciência presente na sua escrita, de modo que ora se fala sobre experiências próprias e sentimentos compartilhados com o leitor, ora se traz uma visão externa de outros autores sobre o filme e suas temáticas. Isso nos mostra uma multiplicidade de caminhos, possibilidades de escrita, para além da convencionalidade da escrita acadêmica.
Disso, pensando a iniciação científica, pudemos tirar reflexões sobre a não neutralidade dos nossos olhares e das produções, a coragem em tecer críticas, as múltiplas formas de construção do conhecimento, a socialização das discussões e a ciência como texto ficcional.
Finalmente, deixando de lado todos os assuntos SUPÉRFLUOS supracitados, tratamos das reais questões: diferença de idade entre casais e subcelebridades polêmicas.

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